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Escalada no Dedo de Deus: marco do montanhismo brasileiro!

Atualizado: 19 de mar.


Escalada no Dedo de Deus

Você provavelmente já ouviu falar no Dedo de Deus, um marco do montanhismo brasileiro desejado por muitos, assim como também foi para mim. Em setembro de 2021, no fim da temporada de montanha, realizei esse sonho e agora, trago comigo a bagagem necessária para dividir essa aventura com vocês.


O Dedo de Deus é um pico com 1.692m de altitude onde seu contorno se assemelha a uma mão apontando o dedo indicador para o céu. Pertence ao Parque Nacional da Serra dos Órgãos (PARNASO), em Guapimirim no estado do Rio de Janeiro, é uma das montanhas mais conhecidas da Serra, principalmente pelo visual que é facilmente reconhecida olhando de Teresópolis, onde se pode visualizar quatro grandes montanhas da Serra, chamada de Big 4: o Escalavrado, o Dedo de Nossa Senhora, o Dedo de Deus e a Cabeça de Peixe (clique aqui e conheça sobre o Big 4 no meu Instagram).


Se você, assim como eu, também sonha em realizar esse feito, entenda: você precisa se preparar fisicamente e emocionalmente, e vou te explicar o porque nesse post!


Resumo Escalada Dedo de Deus - Face Leste com variante Maria Cebola

* Os dados sobre "Dificuldade Média" são baseados no documento oficial da FERMEJ (Federação de Esportes de Montanha do Estado do Rio de Janeiro), clique aqui e saiba mais sobre a Metodologia de Classificação de Trilhas.


  • Conquistadores Face leste: Almir Ulisséa, Antônio Taveira e Ulisses Braga Ano da Conquista: 1944

  • Conquistadores Maria Cebola: Drahomir Vrbas e Hamilton Maciel Ano da Conquista: 1957

 

O que você vai encontrar neste post?


 

Qual o nível de dificuldade da escalada no Dedo de Deus?


A escalada no Dedo de Deus não é uma aventura para iniciantes, isso porque passamos por uma trilha desafiadora e por trechos de escalada. Inclusive, diversos guias de montanha, recomendam que já se tenha realizado algum curso básico de escalada ou que já se tenha experiência com a atividade, assim, a probabilidade de você ter uma experiência melhor aumenta. É esperado que se conheça técnicas de escalada e procedimentos como: oferecer segurança para o guia, saber montar um sistema de rapel, fazer o bloqueio do freio, saber fazer uma ascensão e recolher os equipamentos como costuras ao logo da via.



Qual a melhor época para escalar o Dedo de Deus?


A melhor época é durante a Temporada de Montanha que vai de abril a setembro, isso porque tendemos a ter dias mais secos (sem chuvas e raios) e abertos, tornando mais segura a conquista. Não é impeditivo ir fora dessa época desde que consiga uma boa janela de tempo.


História da Escalada no Dedo de Deus


A primeira conquista do Dedo de Deus aconteceu em abril 1912 pela via Teixeira por 5 jovens teresopolitanos (nativos da cidade brasileira de Teresópolis). Diversos alpinistas estrangeiros já haviam tentado conquistar o cume desta montanha anteriormente, porém sem sucesso. Os primeiros escaladores foram José Teixeira Guimarães, Raul Carneiro e os irmãos Acácio, Alexandre e Américo Oliveira, onde também contaram com a ajuda do jovem João Rodrigues de Lima para logística da alimentação.

Existe diversas vias de escalada para atingir o cume do Dedo de Deus, eu realizei a escalada pela Face Leste do Dedo com a variante Maria Cebola, é a via mais frequentada por escaladores que desejam fazer o seu cume (e mais acessível de forma geral). Esta foi conquistada 32 anos depois por Almy Ulissea Antônio Taveira e Ulisses Braga, sendo também uma das 50 vias clássicas do Brasil.


Como é escalar o Dedo de Deus?


Essa foi uma experiência incrível! Fui escalando de acompanhante e conto tudo sobre essa aventura aqui nesse vídeo, desde a preparação até a finalização comemorando a conquista!



A aventura começa com uma trilha até a base dos cabos de aço. Essa trilha é íngreme, bem estilo serrana e o tempo vai depender do seu ritmo de caminhada, eu recomendo fortemente que você mantenha um ritmo, porque o dia será longo. A média dessa caminhada é de 45min e quando se chega nos cabos, já é recomendado colocar todos os equipamentos como sapatilha, capacete, cadeirinha e se encordar. Iniciamos a aventura bem cedo, porque queríamos pegar o nascer do sol nesse ponto e conseguimos! Foi lindo ver o escalavrado ser iluminado.



Esse trecho tem em torno de 100m, o início é mais íngreme e pode ser escorregadio. Estava bem apreensiva para esse momento, mas com a técnica correta, passei por essa parte do desafio bem tranquila. Após isso, alternamos entre trechos de trilha com escalaminhada até chegarmos na Base do Polegar. Nesse momento, percorremos cerca de 2h30min, hora de dar uma descansada e aproveitar o visual da serra. E que visual!



Após esse trecho, temos em torno e 200m de escalada com oito enfiadas até o sonhado cume. Passando por chaminés, diedros, aderência, fendas e colocando não somente técnica, mas também o mental em prática. A primeira e segunda enfiada se passa mais por fendas, caneletas e calhas, até chegar na rampa que dá acesso a base da Maria Cebola. Nesse trecho, o grau varia de II até IV, sendo algumas vezes necessário fazer proteção natural.



Nesse momento, passamos pelo famoso diedro que contorna a face da montanha, a dica é: NÃO OLHE PARA BAIXO, se você achar que vai se sentir desconfortável. Aqui, além do diedro, também passamos por aderência com o grau podendo chegar a IV sup. A quarta enfiada é uma chaminé em torno de 35m e com IV, e na quinta enfiada entramos em uma outra chaminé, mas dessa vez em III e em torno de 30m.


A sexta enfiada também tem uma chaminé de III com uma fenda positiva dentro da chaminé, essa é a hora de trabalhar diversas técnicas. Chegando na sétima enfiada, estamos quase no fim da aventura passando pela última fenda. E por fim, a oitava e última enfiada, é onde subimos a escadinha mais famosa que nos leva ao cume.



E finalmente se chega no momento de aproveitar o mar de montanhas, com visual 360º da Serra e agradecer pela experiência. Aqui de cima é possível ver claramente o PARNASO, Parque Estadual dos Três Picos, a cidade de Teresópolis e o Rio de Janeiro ao fundo. No vídeo lá em cima, eu falo sobre cada um deles e ainda mostro o visual do cume, onde boa parte das montanhas vistas do Dedo de Deus eu também já alcancei.


Nome das Montanhas vistas do Dedo de Deus - Serra dos Órgãos
Montanhas vistas do Dedo de Deus

Assinar o livro do cume em uma montanha como o Dedo de Deus é sem igual, e não tenho palavras que possam descrever esse momento. É uma sensação única para amantes do montanhismo brasileiro!


A descida não é realizada pelo mesmo caminho, o que para mim foi ótimo! Fizemos o rapel vertiginoso que para alguns pode ser bem assustador, mas eu fiquei em êxtase durante todos os momentos. Após uma sequência de rapéis que podem ser feitos com uma corda de 50m, se pega uma trilha até chegar na base dos cabos de aço e por fim chegarmos a estrada novamente.



E aí, depois de ler esse post ficou com vontade de escalar o Dedo de Deus?

Se esse se tornou seu novo objetivo no montanhismo eu te recomendo procurar um guia local e realizar essa aventura com toda segurança. Também recomendo passar no mirante do soberbo para ficar de cara com essa montanha incrível que você acabou de encarar!

 

Orientações para a Escalada no Dedo de Deus

  • Use luvas para proteger suas mãos durante a utilização do cabo de aço e joelheiras para te proteger durante as chaminés;

  • Leve lanterna;

  • Leve lanche reforçado por se tratar de uma atividade longa. O tempo de trilha aproximado é de 10h, mas irá variar do quão experiente você é;

  • Não existe fonte d´água no caminho, recomendo levar entre 1.5l e 3l de água;

  • Procure ir leve para conseguir fazer a trilha e escalar com uma melhor performance;

  • É necessário levar alguns equipos extras, dependendo se estará como participante ou com guia.


🔗 Links que podem te ajudar:


No atual momento (2023), é necessário pedir autorização ao PARNASO para realizar a escalada e não está sendo cobrada a entrada.

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Quem escreve?

Fernanda Diva sorrindo sobre uma montanha de nevada

Fernanda Diva

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Sou montanhista, viajante, cientista, escoteira, nômade digital, criadora de conteúdo outdoor & fundadora da SOUL AVENTUREIRA. Falo aqui sobre trekking, camping, escalada, montanhas, cachoeiras, praias e muita informação sobre o universo outdoor. 
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