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Expedição 6.000m: Acotango e Parinacota em três dias



Minha primeira experiência em alta montanha foi uma jornada inesquecível na Vila Sajama, na Bolívia. Situada nas proximidades do Parque Nacional Sajama, esta vila remota e encantadora é o ponto de partida para os aventureiros que buscam desafiar os picos imponentes da Cordilheira dos Andes. Localizada a uma altitude de aproximadamente 4.200 metros acima do nível do mar, a região apresenta um clima variado, caracterizado por dias ensolarados e noites geladas, com temperaturas que podem cair abaixo de zero.


Diretamente da vila, existem quatro vulcões principais para colocar no seu desafio: Acotango (6.052m), Parinacota (6.380m), Pomerape (6.282m) e Sajama (6.542m), o maior da Bolívia. Entretanto, para começar qualquer um desses, é necessário realizar uma aclimatação adequada, então a viagem foi mais longa do que três dias (aproveita os cupons de desconto em roupas e equipamentos de trilha!)

 

O que você vai encontrar neste post?



 

Qual a melhor época para escalar os vulcões na Vila Sajama?


A melhor época é durante a Temporada de Montanha que vai de abril a setembro, isso porque tendemos a ter dias mais secos (sem chuvas e raios) e abertos, tornando mais segura a conquista. Não é impeditivo ir fora dessa época desde que consiga uma boa janela de tempo. No entanto, é importante estar preparado para variações climáticas e sempre verificar as condições meteorológicas locais antes de embarcar em uma expedição de escalada.



Quais trilhas de aclimatação foram realizadas?


A primeira parte da viagem foi chegar na capita da Bolívia, La Paz que possui 3.650m de altitude. Por lá permaneci por dois dias já aclimatando e conhecendo a região, depois disso que de fato a aventura começou.


Dia 1: fomos até o Glaciar do Huayna Potosí para aprender técnicas que seriam necessárias, além de testar as vestimentas que seriam utilizadas posteriormente. Foram cerca de 2h ida e volta caminhando e ultrapassando pela primeira vez o marco dos 5mil.


Dia 2: ida até a Vila Sajama de carro (cerca de 6h de viagem). Algo que me surpreendeu muito na região é a quantidade de lhamas, alpacas e vicunhas soltas pela região e a beleza dois quatro vulcões, principalmente o Sajama que dava para ver de onde eu dormia. Essa foi a base até o fim da expedição.



Dia 3: primeira trekking de alta montanha realizado foi em direção a Laguna Soropata, paramos na fronteira do Chile. Essa trilha além da beleza e elevação de altitude, foi bem importante para colocar um ritmo no grupo.


Dia 4: primeira alta montanha realizada foi o cume do Wisalla com 5.031m de altitude, foi inesquecível para mim. Foram 12km de trilha (ida e volta) e uma subida de 830m para chegar ao cume (saímos de 4200m). Além da beleza incrível, era muito nítido o visual do Parinacota, Pomerape e do poderoso Sajama (o mais alto da Bolívia).


No vídeo a seguir, é possível encontrar mais informações e detalhes de todos esses dias além de cenas cinematográficas.


Acotango


Na noite do Wisalla, acordamos para nos preparar para nosso primeiro grande desafio: Acotango com seus 6.052m de altitude. O vulcão é uma montanha localizada na Cordilheira dos Andes, na fronteira entre a Bolívia e o Chile. Saímos da Vila de Sajama e seguimos em um veículo 4×4 junto com um guia local até o ponto de partida da trilha, a 5.300m de altitude por cerca de 1h. Aqui, você pode ver melhor como foi essa experiência.



A primeira parte é uma subida mais tranquila, depois o grau de inclinação aumenta consideravelmente e por último ocorre o trecho que é necessário a utilização do crampon. É considerado a opção mais fácil acima de 6mil na Bolívia para começar. Entretanto, lembre-se que não existe montanha acima de 6mil fácil e que as condições climáticas podem mudar muita coisa. Em destaque, os vulcões Pomerape, Parinacota, Sajama e Guallatiri.




A seguir um texto que escrevi no dia após a subida:

"E lá é você com você. Gostaria de romantizar e dizer que foi fácil subir o Acotango, mas eu estaria mentindo. E não foi fácil aceitar, o antes, nem o durante e nem o depois. Depois que aceitei o convite da expedição, eu passei por muitos altos e baixos. Eu nunca tinha ido para altitude na vida e estaria embarcando numa aventura acima de 6mil.


Subir não foi fácil, foi de longe fácil para ser sincera. Pegamos vento de 50km/h e temperatura de -30.. Era vento a subida inteira, eu achava que já tinha sentido tudo na vida. Fiquei com medo de perder os dedos das mãos, estava muito frio, meu coração palpitava e faltava ar, um passo de cada vez e uma subida interminável. Era o frio dos dedos, a fome, o cabelo na cara, a coriza no nariz e o tempo passando sem conseguir andar mais rápido. Eu não tinha coragem de abrir a boca para falar ou tirar as luvas para tirar uma foto. Só pensava em respirar e como doía fazer isso.


Ficava me questionando se eu era capaz, será que não estaria exigindo muito do corpo ou atrasando o grupo ? Eu não sabia o que estava passando com eles. Quando cheguei no crampon point, eu estava muito cansada e com muito frio.. faltavam 400m, eu via o cume e foi quando a Fer disse: "toma um gel, espera 5min e vem, você consegue"


E eu consegui com todo o grupo. Incrivelmente, depois que começamos a caminha na neve, ficou muito maia fácil e fluido pra mim. Engraçado lembrar que nada me abalava mais. Eu via o precipício dos meus lados e o vento forte e eu só botava um pé na frente do outro olhando o cume que era tão perto e tão longe ao mesmo tempo.


Quando cheguei, eu simplesmente caí no chão, as lágrimas vêm agora só de relembrar o momento. Nunca duvide de você mesmo."