top of page

Leave no Trace: 7 princípios de mínimo impacto na natureza

Atualizado: 28 de abr. de 2023



Os Sete Princípios do "Leave No Trace", com tradução de "não deixe rastros" traz práticas de mínimo impacto para quem está em ambientes naturais praticando ou não esportes.


Esses sete princípios são estabelecidos e conhecidos internacionalmente, porém não são estáticos, onde o  Leave No Trace Center for Outdoor Ethics está constantemente examinando, avaliando e reformulando esses conceitos de prática, sempre que necessário.


Eles são autoexplicativos e podem ser aplicados em todas as atividades ao ar livre:

1️. Planejamento e Preparação


A redução do impacto começa antes de você sair de casa, quando você está planejando e organizando sua próxima atividade. Esses vão te preparar para que você obtenha seus objetivos de forma segura e prazerosa. Isso porque a maioria dos famosos “perrengues” poderiam ser evitados se planejados de forma melhor.


Realizando um planejamento mais eficaz é possível aumentar e garantir a segurança dos envolvidos, os objetivos tem maiores chances de serem atingidos, é possível aproveitar e aprender mais com esse contato, além de minimizar os danos no local.


Tópicos a serem analisados antes de atividades na natureza: clima, terreno, regulamentos, quantidade de participantes ideal, alimentação, resgate caso necessário, equipamentos necessários, entre muitos outros.



Alguns exemplos de “perrengues”: ficar sem água e alimentação, pegar chuva, passar frio, barraca voar, se exaurir, não ter fogo para cozinhar, se perder, entre muitos outros.

Se possível, evite agendar a sua visita em períodos de grande movimentação como feriados e fim de semana. O ideal é que não haja um volume tão grande de pessoas percorrendo o mesmo trajeto junto.


2️. Acampe e caminhe por superfícies duráveis

Esse princípio nos lembra de sempre dar preferência por caminhos com superfícies duráveis, evitando abrir novos caminhos (atalhos) e alargar trilhas. Assim como no momento de montar sua barracar, priorizar as áreas de acampamento já estabelecidas.



O objetivo é evitar danos ao curso d´água e à terra durante as atividades. Só de nos introduzirmos em uma região natural, fazendo uma trilha, por exemplo, já impactamos o ambiente de diversas formas, o objetivo maior é diminuir esses impactos ao máximo. As trilhas são criadas para atender as pessoas que estão frequentando determinada área e por isso devem ser respeitadas.


Além disso, elas diminuem a chance dos caminhantes se perderem ou ficarem confusos quanto ao caminho a ser percorrido. Lembre-se também de evitar fazer ruídos muitos altos que não pertecem ao ambiente natural.


Mas o que é a durabilidade da superfície?

ada terreno responde de uma forma quando você caminha, você provavelmente já reparou que você caminhando por um lajedo de pedra, por terra e por areia, elas são diferentes. Quando a trilha e o acampamento são demarcados, serve de orientação natural para percebermos quando se está percorrendo algum trajeto que não há trilhas (ocorre por exemplo em algumas longas expedições ou quando se vai procurar um cantinho para se fazer as próprias necessidades).


Pedra, cascalho e areia:

São altamente duráveis, a nossa pegada em uma pedra não permanece e na areia facilmente some? Essas superfícies conseguem lidar bem com pisadas repetidas.


Vegetação:

Vegetação é superfície que varia conforme sua resistência e existem de diversos tipos. Ao se introduzir em atividades outdoor, dê preferência por caminhar em vegetações mais esparsas ou duráveis. Se o grupo for grande, ideal se separarem para não criarem uma nova trilha onde não existe.


Gelo e neve: 

Deve-se ficar atento e existem alguns cuidados extras quanto a segurança, mas falando somente sobre a durabilidade, o efeito é bem temporário.


Poças no deserto e buracos de lama:

É importante evitar caminhar sobre esse tipo de superfície quando a água é um recurso escasso na região, então evitar sua possível poluição ou destruição é importante.


Solo vivo:

O solo vivo é uma das superfícies mais delicadas e é importante percorrer a trilha demarcada. São mais comuns em lugares desérticos e não presentes nas trilhas na região do Brasil. Ele é uma superfície em que existem comunidades de organismos e por isso a fragilidade.


Quando for acampar deve ser pensado tudo isso, levando em consideração a região que vai montar barraca, cozinha e até a área da limpeza. O cuidado é maior quando se está em regiões em que não há uma área de acampamento regulamentada, geralmente em áreas mais remotas.


Levando em consideração não só a fragilidade do solo, mas os cuidados necessários para sua segurança e também da vida selvagem (como acampar 60m de fonte d'água para que eles tenham água potável).


Lembrando que antes de deixar seu acampamento, é importante verificar se não está deixando lixo para trás. Caso não seja uma área tradicional, é importante que você apague suas pegadas (varrer o gramado caso tenha) para evitar que outros escolham o mesmo local de camping e para deixar como você encontrou.

3. Descarte Adequado

Leve de volta com você tudo que você levou, seja restos de alimentos, embalagens e até resíduos da limpeza, além dos dejetos humanos. É importante verificar qual a regulamentação do local, onde o que é necessário ser realizado pode ser variável no mesmo país de acordo com a região. Além de saber aplicar a técnica recomendada de forma prática, segura e efetiva (cavar buracos, shit-tube, latrinas e esfregar nas rochas).



Por exemplo, no Brasil, já frequentei lugares em que o shit tube era obrigatório e outros que o recomendado era cavar e enterrar suas fezes (longe de d'água sempre). O cuidado com os dejetos humanos é o mais importante por diversas razões: como evitar propagação de doenças (entre seres humanos e animais), facilitar a decomposição, evitar poluição de águas, além do próprio visual e acidentes inconvenientes durante a caminhada (como pisar nas fezes de alguém).


O que fazer com papel higiênico, lenço umedecido e absorvente descartáveis?

Caso leve papel higiênico deverá ser carregado com você até o fim do seu percurso para fazer o descarte correto, assim como lenço umedecido e absorventes menstruais (recomendo a famosa "águinha" com o mínimo de sabão biodegradável com uma toalhinha para secar).


Onde fazer xixi na trilha?

A urina é mais tranquila que as fezes, por terem um efeito menor, porém dois cuidados são importantes: fazer longe d'água e da trilha. Diluir a urina ajuda, assim como escolher lugares como rochas e cascalhos, pois evitam que animais que se sintam atraídos pelo cheiro, revirem o solo.

O que fazer com o lixo orgânico?

Antes de deixar o local, sempre verifique se ficou algum resto de alimento (principalmente acampamentos) ou restos de embalagens. O ideal é separar o resíduo orgânico do inorgânico ao carregar. Além disso, planeje suas refeições o melhor possível para evitar desperdício.

O lixo orgânico se decompõe muito mais fácil que um plástico e serve de adubo, porém ele não pode ser jogado diretamente na natureza e isso é uma dúvida muito recorrente. Primeiro que para virar adubo, precisa de tratamento adequado. Apesar dele sim se decompor na natureza, ele também pode demorar: uma casca de banana pode demorar até 2 anos (super comum jogarem), um coco pode demorar até 20 anos! Isso vai variar de acordo com clima da região, lembrando que na montanha é mais frio, demorando mais. A decomposição gera um mal cheiro, podendo atrair animais e gerar uma contaminação tanto para flora quanto para fauna local.


Agora pense no excesso: se você pode, as outras 1.000 pessoas (comum em grandes parques) que frequentam o lugar, também podem, não é mesmo? Agora imagina 1.000 cascas de banana jogadas ali na terra (mesma situação se encaixa em levar um cristal do local, pense no macro). Essa situação além de ser esteticamente feio é inconveniente, afinal quem gosta de fazer trilha com resto de alimentos pelo caminho?


E por último, mas não menos importante, também há possibilidades de nascer espécies que não são do lugar e gerar um problemas futuros como mudança da alimentação da fauna local e pragas.


Sobre a limpeza própria, quanto limpeza de utensílios, mesmo utilizando sabonete biodegradável, utilize o mínimo necessário. Não é porque é biodegradável que não gera um impacto no local.


4. Deixe no local TUDO que estava lá e da forma como estava Evite introduzir espécies exóticas no local e não colete nenhuma vegetação nativa. Não danifique árvores ou plantas, nem rasbique rochas ou árvores. Não leve conchas, cristais, flores, enfim, leve somente fotos. Deixe tudo que encontrar no lugar, deixe somente suas pegadas e leve somente fotos e se encontrar lixos de outras pessoas leve com você também.


Caso mova rochas ou galhos para montar sua barraca, coloque-as no lugar original após o uso. O intuito de tudo é minimizar o máximo seu impacto naquela região.


Muitas vezes pensamos que é só um cristalzinho ou só uma florzinha, mas imagina a quantidade de pessoas que frequentam esse lugar pensando a mesma coisa. É possível sair de um cristalzinho, para mil cristais sendo retirados daquela região. Não podemos ser egoístas e pensar que só nós merecemos aquilo. Todos merecem viver a natureza da forma bela e leve.



5. Minimize ao máximo o impacto com fogueiras e só faça onde permitido Se for realmente necessário e permitido, faça-as bem pequenas e de forma correta. Não é só criar fogo, existem técnicas para reduzir ao máximo o risco de acidentes, tanto durante, quanto após a utilização da mesma.



Atualmente, existe um equipamento chamado fogareiro que é mais fácil, prático, não faz fumaça, dispensa busca por lenha e é seguro de ser utilizado. Além disso, não deixa rastro no meio ambiente, ao contrário da fogueira.


Na maioria das vezes, não há a necessidade de realizar uma fogueira, mas é importante saber fazer uma de forma segura e correta em caso de situação emergencial. Também é importante saber se é permitido fazer fogueira no local, se há lugar apropriado para tal, qual o perigo de um incêndio acontecer, se existe uma alta fonte de madeira para se regenerar, se os participantes sabem fazer e desfazer uma fogueira, entre outras questões. Nunca deixe a fogueira sem supervisão de um responsável e após utilizar, é necessário apaga-la e desmontar a mesma.


6. Respeite a vida selvagem Devemos respeitar a vida selvagem, eles moram ali, nós somos apenas passageiros. Mantenha-se longe de animais selvagens, não emita sons/ruídos muito altos, não deixe restos de comida pelo caminho e não ofereça alimentos a eles.


Manter a distância do seu acampamento da água também é uma forma de respeito, assim como recolher seu lixo e descartar adequadamente os seus dejetos, ou seja, esse respeito é desenvolvido durante todo o processo e está entrelaçado com os outros princípios do Leave no Trace.


No geral, grupos menores interferem menos na vida selvagem, além de movimentos mais calmos e ruídos menores. Poucos são os lugares em que é recomendado fazer barulho para de fato afastar animais como ursos, por exemplo, mas isso não acontece aqui no Brasil.


Também é recomendado olhar por onde se caminha, onde colocar suas mãos ou sentar, tanto para não machucar um possível animal, quanto um acidente. Caso veja algo de estranho como um animal machucado, avise ao responsável local seja na portaria do parque ou um órgão responsável na região, não queira resgatar o animal sem experiência ou propriedade para a atividade.


Por mais que seja tentador chegar perto de alguns animais, mantenha a distância e use uma câmera com zoom caso queira tirar fotos, e tente se colocar na situação dele.

7. Seja amigo e respeite o próximo

Respeite seus colegas visitantes e siga as regras de etiqueta ao ar livre. Faça silêncio, não coloque caixa de som ou qualquer outra fonte sonora elevada. Ofereça ajuda sempre que alguém precisar, e se você se deparar com alguma situação de possível risco, avise alguém.


No geral, as pessoas vão para ambientes naturais para ter paz, silêncio e relaxar, então se sua atitude vai afetar o outro, talvez não seja uma boa atitude. Se você está em um local muito bonito onde pessoas gostam de tirar fotos, seja breve, todos querem passar por ali e guardar uma recordação, a montanha ou cachoeira não foi feita para fazer book fotográfico e sim para viver o momento.


Encontrou pessoas na trilha e está estreita? Dê um passo ao lado e deixe o que está subindo passar. Muitas pessoas subindo ou descendo? Deixe as que estão num ritmo mais acelerado passar e assim todos ficam felizes. E quando for descansar ou se alimentar, saia da trilha e vá para superfícies duráveis.



Agora me conta nos comentários, já sabia e já fazia todas essas práticas?


2 comentários

2 Comments


Jennifer Oliveira
Jennifer Oliveira
Apr 19, 2023

Fe, eu fico admiradíssima com tanto conteúdo de qualidade que você produz, tanto lá no insta, quanto aqui no blog. Eu me sinto instruída com as suas dicas. Obrigada por compartilhar com a gente!

Like
oisoulaventureira
oisoulaventureira
Apr 19, 2023
Replying to

Jennifer, obrigada você por compartilhar seu feedback também. Saber que estou ajudando positivamente e gerando um impacto, é um super incentivo para continuar. Caso tenha interesse em algum outro assunto técnico ou de trilha, sugestões, pode sempre trazer :)

Like

Quem escreve?

Fernanda Diva sorrindo sobre uma montanha de nevada

Fernanda Diva

Design sem nome (18).png

Sou montanhista, viajante, cientista, escoteira, nômade digital, criadora de conteúdo outdoor & fundadora da SOUL AVENTUREIRA. Falo aqui sobre trekking, camping, escalada, montanhas, cachoeiras, praias e muita informação sobre o universo outdoor. 
Acompanhe minhas aventuras
@soul.aventureira!

Aproveite os descontos!

Curso Vivências Outdoor

G0384793_1597165029915(1)_edited.jpg

Fique por dentro!

Seja avisado sobre novas aventuras! Prometo que você só vai receber conteúdo que vale a pena!

Obrigado(a) pela inscrição! Faça parte também da Comunidade Aventureira: clique aqui!

Informações, Equipos e Técnicas

1/3
bottom of page